terça-feira, 21 de outubro de 2008

A CEIA- CALVINO

Participação Indigna na Ceia (João Calvino )

Alguns, querendo preparar os homens para a digna participação do sacramento, têm afligido e atormentado cruelmente as pobres consciências, sem todavia lhes ensinarem nada do que é necessário ensinar. Dizem eles que para comer dignamente a Ceia é preciso estar em estado de graça. E interpretam que estar em estado de graça é estar purificado de todo pecado.
Por esse ensino, todos os homens que estiveram e estão na terra seriam excluídos do uso deste sacramento. Porque, se é questão de considerarmos a nossa dignidade em nós, significa que esta é feita por nós! Isso só nos pode causar ruína e confusão. Ainda que nos empenhemos com todas as nossas forças, nada conseguiremos, senão que acabaremos sendo mais indignos ainda, isso quando a duras penas lograrmos encontrar alguma dignidade em nós.
Para tentar curar esse mal, inventaram um meio de adquirir dignidade. É o seguinte:
“Havendo nós examinado devidamente a nossa consciência, expurgamos a nossa indignidade pela contrição, pela confissão e pela satisfação “.1 Dissemos acima, no lugar mais apropriado para tratamento deste assunto, de que maneira se dá esse expurgo ou purificação. No que se refere ao presente propósito, digo que esses remédios e consolos são por demais pobres e frívolos para as consciências perturbadas, abatidas, aflitas e aterradas pelo horror do seu pecado. Porque, se o Senhor, para sua defesa, não admite à participação da sua Ceia ninguém que não seja justo e inocente, é necessária não pequena segurança para tornar alguém certo de que possui a justiça que ouviu dizer que Deus exige. E como se poderá confirmar a segurança de que aqueles que se julgam em dia com Deus fizeram o que está em seu poder fazer? E ainda quando isso fosse possível, quando será que alguém se atreverá a garantir que fez tudo o que pôde? Dessa maneira, sendo que não nos é oferecida nenhuma segurança certa e clara da nossa dignidade, continuará para sempre fechada e trancada a porta de entrada para o recebimento do sacramento por aquela proibição horrível que importa em que comem e bebem juízo para si aqueles que comem e bebem indignamente do sacramento.(2)

FONTE: As Institutas – volume 4, João Calvino, Cultura Cristã, pág. 28-9.
1
Ação pela qual se repara uma ofensa ou um pecado. “Satisfação sacramental”, preces ou práticas impostas pelo confessor ao penitente. NT
2
“Chegamos, porém, à seguinte pergunta: Quando Paulo nos intima a um auto-exame, qual seria a natureza disto? A conclusão dos papistas é que isto consiste em confissão auricular. Ordenam a todos os que estão para receber a Ceia a examinarem suas vidas cuidadosa e minuciosamente, a fim de que aliviem-se de todos os seus pecados aos ouvidos de um sacerdote. Eis o seu método de preparação! Mas, quanto a mim, defendo a tese de que o santo exame de que Paulo está falando está muito longe de ser tortura. Tais pessoas acreditam que ficam limpas depois de torturar suas consciências por algumas poucas horas e então permitem que o sacerdote entre em seus recessos secretos e descubra suas infâmias. O que Paulo requer aqui é outro gênero de exame, aquele exame que corresponde ao uso apropriado da Santa Ceia.

“Eu tenho um método de preparação mais eficaz ou mais fácil a apresentar-lhe, a saber: se o leitor deseja extrair os benefícios próprios deste dom de Cristo, então cultive em seu coração fé e arrependimento. Daí, para que o leito se apresente bem preparado, o exame precisa estar baseado nestes dois elementos. No arrependimento incluo o amor, pois é indubitável que a pessoa que aprendeu a negar-se a fim de devotar- se a Cristo e ao seu serviço, também se entregará de corpo e alma à promoção da unidade que Cristo nos recomendou. Aliás, o que se exige não é fé perfeita ou arrependimento perfeito. Isto é enfatizado por causa de algumas pessoas, pois ao insistirem demais por uma perfeição que não pode ser encontrada em parte alguma, outra coisa não fazem senão pôr barreira entre cada homem e cada mulher e a Ceia para sempre. Mas se o leitor é sério em sua intenção em aspirar a justiça de Deus, e se, humilhando-se ante a consciência de sua própria miséria, você recorre à graça de Cristo, e descansa nela, esteja certo de que é um convidado digno de aproximar-se desta Mesa. Ao afirmar que você é digno, estou dizendo que o Senhor não o deixa fora, ainda que em outros aspectos você não esteja como deveria. Porque a fé, ainda que imperfeita, transforma o indigno em digno.” [João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, (1Co 11.28), p. 363-364]. NE

sábado, 18 de outubro de 2008

JACOBUS ARMÍNIUS

Jacobus, Arminius, nome verdadeiro Jacob Harmensen, Hermansz, ou ainda Harmenszoon (1560-1609), holandês, teólogo e ministro da Igreja Reformada Holandesa que se opôs ao dogma da predestinação e desenvolveu sua própria doutrina conhecida depois como arminianismo. Seu pai faleceu quando Arminius era criança; dois benfeitores custearam seus estudos sucessivamente na escola primária e depois nas universidades de Leiden (1576-1582), Basel e Geneva (1582-1586). Foi ordenado em Amsterdã em 1588, onde se casou. Em 1603 Arminius foi convidado para uma cadeira de teologia em Laiden, que ele manteve até sua morte. Pôs-se contra seu colega Franciscus Gomarus, o qual pregava que aqueles eleitos para a salvação já estavam escolhidos por Deus antes da queda de Adão. Essa predestinação, - dogma professado pelo Calvinismo mais radical -, não deixava espaço para a misericórdia de Deus, nem para a vontade humana para alcançar a salvação. Então Arminius passou a afirmar uma eleição condicional, na qual a oferta divina da salvação poderia ser ou não afetada pela vontade livre do homem. Após sua morte alguns de seus seguidores deram apoio a suas teses assinando a "Remonstrance", um documento teológico, assinado em 1610, por 45 ministros e submetido aos Estados Gerais. O ponto crucial do arminianismo é que a dignidade humana requer uma total liberdade de vontade. O arminianismo remonstrante foi debatido em 1618-1619 no sínodo de Dordrecht, uma assembléia da Igreja Reformada Holandesa no qual todos os delegados eram seguidores de Gomarus. O arminianismo foi desacreditado e condenado pelo sínodo, os arminianos presentes foram expulsos, e muitos outros sofreram perseguição. Em 1629, no entanto, os trabalhos de Arminius (Opera theologica) foram publicados pela primeira vez em Leiden, e por volta de 1630 a Irmandade Remonstrante conseguiu tolerância . Foi finalmente reconhecida oficialmente na Holanda em 1795.

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia
e bacharel em Filosofia.
1997

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

OS CINCO PONTOS DO ARMINIANISMO

PONTO 1

1.1.O arminianismo diz que a vontade do homem é ‘livre’ para escolher, ou a Palavra de Deus, ou a palavra de Satanás. A salvação, portanto, depende da obra de sua fé.

1.2.O calvinismo responde que o homem não regenerado é absolutamente escravo de Satanás, e, por isso, é totalmente incapaz de exercer sua própria vontade livremente (para salvar-se), dependendo, portanto, da obra de Deus, que deve vivificar o homem, antes que este possa crer em Cristo.

PONTO 2

2.1.Arminius sustentava que a ‘eleição’ é condicional, enquanto os reformadores sustentavam que ela é incondicional. Os arminianos acreditam que Deus elegeu àqueles a quem ‘pré-conheceu’, sabendo que aceitariam a salvação, de modo que o pré-conhecimento [de Deus] estava baseado na condição estabelecida pelo homem.

2.2 Os calvinistas sustentam que o pré-conhecimento de Deus está baseado no propósito ou no plano de Deus, de modo que a eleição não está baseada em alguma condição imaginária inventada pelo homem, mas resulta da livre vontade do Criador à parte de qualquer obra de fé do homem espiritualmente morto.

2.3 Dever-se-á notar ainda que a segunda posição de cada um destes partidos (arminianos e calvinistas) é expressão natural de suas respectivas doutrinas a respeito do homem. Se o homem tem “vontade livre”, e não é escravo nem de Satanás nem do pecado, então ele é capaz de criar a condição pela qual Deus pode elegê-lo e salvá-lo. Contudo, se o homem não tem vontade livre, mas, em sua atual situação, é escravo de Satanás e do pecado, então sua única esperança é que Deus o tenha escolhido por sua livre vontade e o tenha elegido para a
salvação.

PONTO 3

Os arminianos insistem em que a expiação (e, por esta palavra, eles significam ‘redenção’) é universal. Os calvinistas, por sua vez, insistem em que a Redenção é parcial, isto é, a Expiação Limitada é feita por Cristo na cruz.

3.1. Segundo o arminianismo, Cristo morreu para salvar não um em particular, porém somente àqueles que exercem sua vontade livre e aceitam o oferecimento de vida eterna. Daí, a morte de Cristo foi um fracasso parcial, uma vez que os que têm volição negativa, isto é, os que não a querem aceitar, irão para o inferno.

3.2. Para o calvinismo, Cristo morreu para salvar pessoas determinadas, que lhe foram dadas pelo Pai desde toda a eternidade. Sua morte, portanto, foi cem por cento bem sucedida, porque todos aqueles pelos quais ele não morreu receberão a “justiça” de Deus, quando forem lançados no inferno.

PONTO 4

4.1.Os arminianos afirmam que, ainda que o Espírito Santo procure levar todos os homens a Cristo (uma vez que Deus ama a toda a humanidade e deseja salvar a todos os homens), ainda assim, como a vontade de Deus está amarrada à vontade do homem, o Espírito [de Deus] pode ser resistido pelo homem, se o homem assim o quiser. Desde que só o homem pode determinar se quer ou não ser salvo, é evidente que Deus, pelo menos, ‘permite’ ao homem obstruir sua santa vontade. Assim, Deus se mostra impotente em face da vontade do homem, de modo que a criatura pode ser como Deus, exatamente como Satanás prometeu a Eva, no jardim [do Éden].

4.2. Os calvinistas respondem que a graça de Deus não pode ser obstruída, visto que sua graça é irresistível. Os calvinistas não querem significar com isso que Deus esmaga a vontade obstinada do homem como um gigantesco rolo compressor! A graça irresistível não está baseada na onipotência de Deus, ainda que poderia ser assim, se Deus o quisesse, mas está baseada mais no dom da vida, conhecido como regeneração. Desde que todos os espíritos mortos (alienados de Deus) são levados a Satanás, o deus dos mortos, e todos os espíritos vivos (regenerados) são guiados irresistivelmente para Deus (o Deus dos vivos), nosso Senhor, simplesmente, dá a seus escolhidos o Espírito de Vida.
No momento em que Deus age nos eleitos, a polaridade espiritual deles é mudada: Antes estavam mortos em delitos e pecados, e orientados para Satanás; agora são vivificados em Cristo, e orientados para Deus.

É neste ponto que aparece outra grande diferença entre a teologia arminiana e a teologia calvinista. Para os calvinistas, a ordem é: primeiro o dom da vida, por parte de Deus; e, depois, a fé salvadora, por parte do homem.

PONTO 5

511. Os arminianos concluem, muito logicamente, que o homem, sendo salvo por um ato de sua própria vontade livremente exercida, aceitando a Cristo por sua própria decisão, pode também perder-se depois de ter sido salvo, se resolver mudar de atitude para com Cristo, rejeitando-o! (Alguns arminianos acrescentariam que o homem pode perder, subseqüentemente, sua salvação, cometendo algum pecado, uma vez que a teologia arminiana é uma “teologia de obras” — pelo menos no sentido e na extensão em que o homem precisa exercer sua própria vontade para ser salvo.) Esta possibilidade de perder-se, depois de ter sido salvo, é chamada de “queda (ou perda) da graça”, pelos seguidores de Arminius. Ainda, se depois de ter sido salva, a pessoa pode perder-se, ela pode tornar-se livremente a Cristo outra vez e, arrependendo-se de seus pecados, “pode ser salva de novo”. Tudo depende de sua contínua volição positiva até à morte!

5.2. Os calvinistas sustentam muito simplesmente que a salvação, desde que é obra realizada inteiramente pelo Senhor — e que o homem nada tem a fazer antes, absolutamente, “para ser salvo” —, é óbvio que o “permanecer salvo” é, também, obra de Deus, à parte de qualquer bem ou mal que o eleito possa praticar. Os eleitos ‘perseverarão’ pela simples razão de que Deus prometeu completar, em nós, a obra que ele começou. Por isso, os cinco pontos de TULIP incluem a Perseverança dos Santos.

ARMINIANISMO


Jacobus Arminius
(1560–-1609)

O Arminianismo é um sistema teológico baseado nas idéias do pastor e teólogo reformado holandês Jacob Harmensz, mais conhecido pela forma latinizada de seu nome Jacobus Arminius. No inglês, é usualmente referenciado como James Arminius ou Jacob Arminius. Em português, seu nome seria Jacó Armínio.

Embora tenha sido discípulo do notável calvinista Teodoro de Beza, Armínio defendeu uma forma evangélica de sinergismo (crença que a salvação do homem depende da cooperação entre Deus e o homem), que é contrário ao monergismo, do qual faz parte o calvinismo (crença de que a salvação é inteiramente determinada por Deus, sem nenhuma participação livre do homem). O sinergismo arminiano difere substancialmente de outras formas de sinergismo, tais como o pelagianismo e o semipelagianismo, como se demonstrará adiante. De modo análogo, também há variações entre as crenças monergistas, tais como o supra-lapsarianismo e o infra-lapsarianismo.

Armínio não foi primeiro e nem o último sinergista na história da Igreja. De fato, há dúvidas quanto ao fato de que ele tenha introduzido algo de novo na teologia cristã. Os próprios arminianos costumavam afirmar que os pais da Igreja grega dos primeiros séculos da era cristã e muitos dos teólogos católicos medievais eram sinergistas, tais como o reformador católico Erasmo de Roterdã. Até mesmo Philipp Melanchthon (1497-1560), companheiro de Lutero na reforma alemã, era sinergista, embora o próprio Lutero não fosse.

Armínio e seus seguidores divergiram do monergismo calvinista por entenderem que as crenças calvinistas na eleição incondicional (e especialmente na reprovação incondicional), na expiação limitada e na graça irresistível:

* seriam incompatíveis com o caráter de Deus, que é amoroso, compassivo, bom e deseja que todos se salvem.
* violariam o caráter pessoal da relação entre Deus e o homem.
* levariam à conseqüência lógica inevitável de que Deus fosse o autor do mal e do pecado.


Índice
[esconder]

* 1 Contexto histórico
* 2 Diferentes correntes
o 2.1 Arminianos do coração
o 2.2 Arminianos da Cabeça
* 3 A Essência Teológica do Arminianismo do Coração
o 3.1 Os Cinco Pontos do Arminianismo
+ 3.1.1 Eleição Condicional
+ 3.1.2 Expiação Universal
+ 3.1.3 Fé Salvadora
+ 3.1.4 Graça Resistível
+ 3.1.5 Indefinição Quanto à Perseverança
o 3.2 Interpretação dos Cinco Pontos
o 3.3 Citações das obras de Armínio
* 4 Comparação com o Calvinismo
* 5 Referências
* 6 Ligações externas

[editar] Contexto histórico

Para se compreender os motivos que levaram à aguda controvérsia entre o calvinismo e o arminianismo, é preciso compreender o contexto histórico e político no qual se inseriam os Países Baixos à época.

De acordo com historiadores, tais como Carl Bangs, autor de “Arminius: A Study in the Dutch Reformation (1985)”, as igrejas reformadas da região eram protestantes, em sentido geral, e não rigidamente calvinistas. Embora aceitassem o catecismo de Heidelberg como declaração primária de fé, não exigiam que seus ministros ou teólogos aderissem aos princípios calvinistas, que vinham sendo desenvolvidos em Genebra, por Beza. Havia relativa tolerância entre os protestantes holandeses. De fato, havia tanto calvinistas quanto luteranos. Os seguidores do sinergismo de Melanchthon conviviam pacificamente com os que professavam o supralapsarianismo de Beza. O próprio Armínio, acostumado com tal “unidade na diversidade”, mostrou-se estarrecido, em algumas ocasiões, com as exageradas reações calvinistas ao seu ensino.

Essa convivência pacífica começou a ser destruída quando Franciscus Gomarus, colega de Armínio na Universidade de Leiden, passou a defender que os padrões doutrinários das igrejas e universidades holandesas fossem calvinistas. Então, lançou um ataque contra os moderados, incluindo Armínio.

De início, a campanha para impor o calvinismo não foi bem sucedida. Tanto a igreja quanto o Estado não consideravam que a teologia de Armínio fosse heterodoxa. Isso mudou quando a política passou a interferir no processo.

À época, os países baixos, liderados pelo príncipe Maurício de Nassau, calvinista, estavam em guerra contra a dominação da Espanha, católica. Alguns calvinistas passaram a convencer os governantes dos Países Baixos, e especialmente o príncipe Nassau, de que apenas a sua teologia proveria uma proteção segura contra a influência do catolicismo espanhol. De fato, caricaturas da época apresentavam Armínio como um jesuíta disfarçado. Nada disso foi jamais comprovado.

Depois da morte de Armínio, o governo começou a interferir cada vez mais na controvérsia teológica sobre predestinação. O príncipe Nassau destituiu os arminianos dos cargos políticos que ocupavam. Um arminiano foi executado e outros foram presos. O conflito teológico atingiu tamanha proporção que levou a Igreja a convocar o Sínodo Nacional da Igreja Reformada, em Dort, mais conhecido como o Sínodo de Dort, onde os arminianos, conhecidos como "remonstrantes", tiveram a oportunidade de defender seus pontos de vista perante as autoridades, partidárias do calvinismo. As discussões ocorreram em 154 reuniões iniciadas em 13 de novembro 1618 e encerrada em 9 de maio de 1619, cujo o assunto era a predestinação incondicional defendida pelo calvinismo e a predestinação condicional defendida pelo arminianismo. Os arminianos acabaram sendo condenados como hereges, destituídos de seus cargos eclesiásticos e seculares, tiveram suas propriedades expropriadas e foram exilados.

Logo que Maurício de Nassau morreu, os calvinistas perderam o seu poder na região e os arminianos puderam retornar ao país, onde fundaram igrejas e um seminário, o qual até hoje existe na Holanda (Remonstrants Seminarium).

Em síntese, as igrejas protestantes holandesas continham diversidade teológica, à época de Armínio. Tanto monergistas quanto sinergistas eram ali representados e conviviam pacificamente. O que levou a visão monergista à supremacia foi o poder do Estado, representado pelo príncipe Maurício de Nassau, que perseguiu os sinergistas.

Para Armínio e seus seguidores, sua teologia também era compatível com a reforma protestante. Em sua opinião, tanto o calvinismo quanto o arminianismo são duas correntes inseridas na reforma protestante, por serem, ambas, compatíveis com o lema dos reformados sola gratia, sola fide, sola scriptura.

[editar] Diferentes correntes

A exemplo do que ocorre com outras correntes teológicas, tais como o calvinismo, as crenças arminianas não são homogêneas. As idéias originalmente desenvolvidas por Armínio foram sistematizadas e desenvolvidas por inúmeros sucessores e profundamente alteradas por outros. Embora todos eles sejam considerados arminianos, divergem em alguns pontos cruciais. O teólogo reformado Allan Sell introduziu a distinção entre os “arminianos do coração” e os “arminianos da cabeça”.

[editar] Arminianos do coração

São classificados como tal os teólogos que continuaram a trilhar os mesmos passos de Armínio, ou seja, sua teologia é perfeitamente compatível com as idéias por ele defendidas. Entre os inúmeros arminianos do coração, podem ser citados:

* Os Remonstrantes: cerca de 45 ministros e teólogos dos países baixos que deram continuidade ao desenvolvimento da teologia de Armínio. Seu principal representante é Simon Episcopius (1583-1643). Outro nome importante é o do conhecido cientista político Hugo Grotius (1583-1645). Os últimos remonstrantes afastaram-se substancialmente das linhas traçadas por Armínio e deram origem ao “arminianismo da cabeça” (vide adiante).

* Século XVIII: o principal nome que desponta nessa época é o de John Wesley (1703-1791), que se declarava arminiano e defendeu o arminianismo da acusação de heterodoxia e de heresia. Embora a teologia de Wesley seja compatível com o arminianismo original, apresenta alguns acréscimos importantes, tais como o perfeccionismo wesleyano, com o qual nem todos os arminianos concordam, e algumas aparentes contradições, em razão da falta de rigor teológico utilizado em sua linguagem, muito mais de pregador do que de teólogo. Além de Wesley, merecem destaque John Fletcher (1729-1785) e Richard Watson (1781-1833).

* Século XIX: Thomas Summers (1812-1882), William Burton Pope (1822-1903), John Miley (1813-1895).

* Século XX: H. Orthon Wiley (1877-1961), Thomas Oden (embora não aceite ser chamado de arminiano, sua obra é totalmente compatível com o arminianismo clássico. Prefere o rótulo de “paleo-ortodoxo”, já que apela para o consenso dos primeiros pais da Igreja). Dale Moody, Stanley Grenz, Howard Marshall.

[editar] Arminianos da Cabeça

São considerados “arminianos da cabeça” os que abandonaram alguns dos princípios basilares da teologia arminiana clássica, tal como a crença no pecado original e na depravação total. Aproximaram-se do semipelagianismo e até do pelagianismo, negando a salvação pela graça, pilar da reforma protestante. Posteriormente, a teologia de alguns sofreu fortes influências do iluminismo, recaindo em universalismo, arianismo e em vertentes da teologia moderna liberal.

A maior parte dos críticos do arminianismo cometem o equívoco de tomar a parte pelo todo, considerando que todos os arminianos são “da cabeça”, sem discernir as profundas diferenças entre as várias correntes arminianas. Tal equívoco é semelhante ao de considerar que todos os calvinistas são hiper-calvinistas ou que todos sejam supralapsarianos. Talvez por isso, o arminianismo seja tão freqüentemente associado ao semipelagianismo.

Entre os conhecidos arminianos da cabeça, destacam-se:

* Remonstrantes: alguns dos últimos remonstrantes passaram a defender posições mais próximas do semipelagianismo do que do arminianismo, afastando-se do arminianismo clássico. O principal nome dessa época é Philipp Limborch (1633-1712). Muitos opositores do arminianismo, na realidade, baseam suas críticas nas idéias de Limborch, como se fossem iguais às de Armínio.

* Século XVIII: John Taylor (1694-1761) e Charles Chauncy (1705-1787).

* Século XIX: o nome de maior destaque é o do avivalista Charles Finney (1792-1875), cuja teologia é fortemente pelagiana.


[editar] A Essência Teológica do Arminianismo do Coração

[editar] Os Cinco Pontos do Arminianismo

No Sínodo de Dort, os remonstrantes apresentaram a doutrina arminiana clássica na forma dos cinco pontos seguintes:

[editar] Eleição Condicional

Deus, por um eterno e imutável decreto em Cristo, antes da criação do mundo, determinou eleger, dentre a raça humana caída e pecadora, aqueles que pela graça creem em Jesus Cristo e perseveram na fé e obediência. Contrariamente, Deus resolveu rejeitar os não convertidos e descrentes, reservando-lhes o sofrimento eterno (João 3:36).

[editar] Expiação Universal

Em conseqüência do decreto divino, Cristo, o salvador do mundo, morreu por todos os homens, de modo a garantir, pela morte na cruz, reconciliação e perdão para o pecado de todos os homens. Entretanto, essa salvação só é desfrutada pelos fiéis (João 3:16; I João 2:2).

[editar] Fé Salvadora

O homem não pode obter a fé salvadora por si mesmo ou pela força do seu livre-arbítrio, mas necessita da graça de Deus por meio de Cristo para ter sua vontade e seu pensamento renovados (João 15:5).

[editar] Graça Resistível

A graça é a causa do começo, do progresso e da completude da salvação do homem. Ninguém poderia crer ou perseverar na fé sem esta graça cooperante. Conseqüentemente, todas as boas obras devem ser creditadas à graça de Deus em Cristo. Com relação à operação desta graça, contudo, não é irresistível (Atos 7:51)

[editar] Indefinição Quanto à Perseverança

Os verdadeiros crentes têm força suficiente, por meio da graça divina, para lutar contra Satanás, contra o pecado e contra sua própria carne, e para vencê-los. Mas, se eles, em razão da negligência, podem ou não apostatar da fé verdadeira e vir a perder a alegria de uma boa consciência, caindo da graça, é uma questão que precisa ser melhor examinada à luz das Sagradas Escrituras.


[editar] Interpretação dos Cinco Pontos

O terceiro ponto sepulta qualquer pretensão de associar o arminianismo ao pelagianismo ou ao semipelagianismo. De fato, a doutrina de Armínio é perfeitamente compatível com a Depravação Total calvinista. Ou seja, em seu estado original o homem é herdeiro da natureza pecaminosa de Adão e totalmente incapaz, até mesmo, de desejar se aproximar de Deus. Nenhum homem nasce com o "livre-arbítrio", ou seja, com a capacidade de não resistir a Deus.

O quarto ponto demonstra claramente que é a graça preveniente que restaura no homem a sua capacidade de não resistir à Deus. Portanto, para Armínio, a salvação é pela graça somente e por meio da fé somente. Nesse sentido, os arminianos do coração concordam com os calvinistas no sentido de que a capacitação, por meio da graça, precede a fé, e que até mesmo a fé salvadora seja um dom de Deus. A diferença está na compreensão da operação dessa graça. Para os calvinistas, a graça é concedida apenas aos eleitos, que a ela não podem resistir. Para os arminianos, a expiação por meio de Jesus Cristo é universal e comunica essa graça preveniente a todos os homens; mas ela pode ser resistida. Assim como o pecado entrou no mundo pelo primeiro Adão, a graça foi concedida ao mundo por meio de Cristo, o segundo Adão (conforme Romanos 5:18, João 1:9 etc.). Nesse sentido, os arminianos entendem que I Timóteo 4:10 aponta para duas salvações em Cristo: uma universal e uma especial para os que creem. A primeira corresponde à graça preveniente, concedida a todos os homens, que lhes restaura o arbítrio, ou seja, a capacidade de não resistir a Deus. Ela é distribuída a todos os homens porque Deus é amor (I João 4:8, João 3:16) e deseja que todos os homens se salvem (I Timóteo 2:4, II Pedro 3:9 etc.), conforme defendido no segundo ponto do arminianismo. A segunda é alcançada apenas pelos que não resistem à graça salvadora e creem em Cristo. Estes são os predestinados, segundo a visão arminiana de predestinação.

Portanto, embora a expressão "livre-arbítrio" seja comumente associada ao arminianismo, ela deve ser entendida como "arbítrio liberto" ou "vontade liberta" pela graça preveniente, convencedora, iluminadora e capacitante que torna possíveis o arrependimento e a fé. Sem a atuação da graça, nenhum homem teria livre-arbítrio.

Ao contrário dos calvinistas, os arminianos creem que essa graça preveniente, concedida a todos os homens, não é uma força irresistível, que leva o homem necessariamente à salvação. Para Armínio, tal graça irresistível violaria o caráter pessoal da relação entre Deus e o homem. Assim, todos os homens continuam a ter a capacidade de resistir à Deus, que já possuíam antes da operação da graça (conforme Atos 7:51, Lucas 7:30, Mateus 23:37 etc.). Portanto, a responsabilidade do homem em sua salvação consiste em não resistir ao Espírito Santo. Este é o coração do sinergismo arminiano, o qual difere radicalmente dos sinergismos pelagiano e semipelagiano.

No que tange à perseverança dos santos, os remonstrantes não se posicionaram, já que deixaram a questão em aberto.

[editar] Citações das obras de Armínio

Os textos a seguir transcritos, escritos pelo próprio Armínio, são úteis para demonstrar algumas de suas idéias.


...Mas em seu estado caído e pecaminoso, o homem não é capaz, de e por si mesmo, pensar, desejar, ou fazer aquilo que é realmente bom; mas é necessário que ele seja regenerado e renovado em seu intelecto, afeições ou vontade, e em todos os seus poderes, por Deus em Cristo através do Espírito Santo, para que ele possa ser capacitado corretamente a entender, avaliar, considerar, desejar, e executar o que quer que seja verdadeiramente bom. Quando ele é feito participante desta regeneração ou renovação, eu considero que, visto que ele está liberto do pecado, ele é capaz de pensar, desejar e fazer aquilo que é bom, todavia não sem a ajuda contínua da Graça Divina.


Com referência à Graça Divina, creio, (1.) É uma afeição imerecida pela qual Deus é amavelmente afetado em direção a um pecador miserável, e de acordo com a qual ele, em primeiro lugar, doa seu Filho, "para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna,” e, depois, ele o justifica em Cristo Jesus e por sua causa, e o admite no direito de filhos, para salvação. (2.) É uma infusão (tanto no entendimento humano quanto na vontade e afeições,) de todos aqueles dons do Espírito Santo que pertencem à regeneração e renovação do homem - tais como a fé, a esperança, a caridade, etc.; pois, sem estes dons graciosos, o homem não é capaz de pensar, desejar, ou fazer qualquer coisa que seja boa. (3.) É aquela perpétua assistência e contínua ajuda do Espírito Santo, de acordo com a qual Ele age sobre o homem que já foi renovado e o excita ao bem, infundindo-lhe pensamentos salutares, inspirando-lhe com bons desejos, para que ele possa dessa forma verdadeiramente desejar tudo que seja bom; e de acordo com a qual Deus pode então desejar trabalhar junto com o homem, para que o homem possa executar o que ele deseja.

Desta maneira, eu atribuo à graça O COMEÇO, A CONTINUIDADE E A CONSUMAÇÃO DE TODO BEM, e a tal ponto eu estendo sua influência, que um homem, embora regenerado, de forma nenhuma pode conceber, desejar, nem fazer qualquer bem, nem resistir a qualquer tentação do mal, sem esta graça preveniente e excitante, seguinte e cooperante. Desta declaração claramente parecerá que de maneira nenhuma eu faço injustiça à graça, atribuindo, como é dito de mim, demais ao livre-arbítrio do homem. Pois toda a controvérsia se reduz à solução desta questão, “a graça de Deus é uma certa força irresistível”? Isto é, a controvérsia não diz respeito àquelas ações ou operações que possam ser atribuídas à graça, (pois eu reconheço e ensino muitas destas ações ou operações quanto qualquer um,) mas ela diz respeito unicamente ao modo de operação, se ela é irresistível ou não. A respeito da qual, creio, de acordo com as escrituras, que muitas pessoas resistem ao Espírito Santo e rejeitam a graça que é oferecida.


Extraído de As Obras de James Arminius Vol. I

[editar] Comparação com o Calvinismo

Posteriormente ao Sínodo, quando os arminianos apresentaram os cinco pontos do arminianismo, os calvinistas responderam com os cinco pontos do calvinismo, que são os seguintes:

* Total depravação: não existe no homem após a queda de Adão força ou vontade do ser humano para buscar a salvação. Todos os homens herdam, de Adão, a natureza pecaminosa, decaída.
* Eleição Incondicional: a salvação não está condicionada a vontade ou ações humanas, mas ao soberano decreto de Deus que decide salvar alguns, os eleitos, deixando que os demais sofram o castigo eterno.
* Expiação Limitada: a salvação e o sacrifício de Cristo foram realizados apenas para o grupo dos eleitos.
* Graça Irresistível: a graça, enquanto ação e vontade de Deus, não pode ser resistida pela vontade ou ações do homem. Assim, uma vez que o homem tenha sido eleito para a salvação, ele não poderá resistir ao chamamento divino.
* Perseverança dos Santos: todos aqueles que tiveram sua salvação decretada perseverarão através da vontade e ação de Deus até o fim. Uma vez salvo, o eleito jamais perderá sua salvação.

A análise dos textos arminianos revela que o arminianismo do coração concorda integralmente com a depravação total calvinista. O homem em seu estado natural é totalmente incapaz de desejar ou de buscar Deus. Somente a graça preveniente o capacita a crer na mensagem salvadora. Portanto, a discordância ocorre somente com relação à eleição incondicional, a expiação limitada e a graça irresistível.

No que tange à perseverança dos santos, os arminianos não são unânimes. Há quem acredite que a salvação pode ser definitiva e irremediavelmente perdida.

Com relação à predestinação, o arminianismo crê que é baseada na presciência divina daqueles que, capacitados pela graça preveniente, creem na mensagem de salvação em Jesus Cristo.


quarta-feira, 15 de outubro de 2008

VAMOS PULAR O CARNAVAL?

"Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices,, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes. Rm. 13:13"

Estava assistindo ao programa "não concordo", transmitido no dia 18/01/2006 na TV Palavra, dirigido pelo querido irmão Fausto Rocha, e o assunto era carnaval. Presentes pastores, o mediador Fausto Rocha, o presidente eleito da liga das escolas (escolas?) de samba e a princesa eleita do carnaval paulista, Srta. Ana Beatriz Farias.
Dentro do assunto discutia-se se carnaval era cultura, se era lascívia, se era libertinagem aliada à libidinagem e à permissividade. Cada qual, sob seu próprio ponto de vista, colocava sua opinião, de forma educada, diga-se de passagem, mas mostrando, no caso dos pastores evangélicos, que tal festa só traz prejuízos morais para a família e financeiros para a sociedade que paga impostos municipais, cuja prefeitura patrocina tal evento com taxas e mais taxas pagas até por quem não concorda com tal "festa", incluindo aí os evangélicos (de verdade) em geral.
Na defesa da aludida festa "popular" (entre aspas, porque a maioria da população, detesta o carnaval), estava o presidente da liga e a "Princesa" carnavalesca.
Biblicamente falando, não podemos concordar nunca, pois, após a cefaléia provocada pelos quatro dias, ainda resta o saldo de gravidez indesejada, doenças venéreas, vícios em todo tipo de drogas, sem falar na família que passará fome por bom tempo, pois muitos carnavalescos, gastaram todo seu salário de meses de trabalho nesta permissividade diabólica. Ainda chamam de cultura a algo que tira a possibilidade de se comprar bons livros e dar estudos satisfatórios aos filhos, visto aos valores gastos por quatro dias de "prazeres". A palavra de Deus é bem clara a respeito do carnaval, parece até que Paulo escrevia contra as bacanais romanas, festa precursora de nossos carnavais, pois carnaval é tão somente isto: Orgia, bebedices, impudicícias, dissoluções (de lares), contendas e ciúmes".

Mas a pasmaceira causada a quem assistia ao dito programa foi quando na defesa do carnaval e sua "cultura" (se é que se pode chamar letras pobres, de enredos e musicalidade duvidosa, de cultura), a dita princesa do carnaval paulista, afirmou em alto e bom som para quem quisesse ouvir, que era batizada e membro comungante da Igreja Renascer em Cristo.

Entendemos que membro de igrejas reformadas (não quero nem dizer evangélicas para não ser tão pesado nas letras), tem de ter alguns princípios básicos, pois a Palavra de Deus, em Leviticos 11:44 diz: "vós vos santificareis e sereis santos, porque eu sou Santo."
Encerro esta minha indignação, esperando que, se a Srta. Beatriz tiver a oportunidade de ler este artigo, ou ainda, se um dia ler sua Bíblia, pare neste versículo de Atos 3:19 que diz: "Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados".
Se tal libertinagem é permitida aos membros da dita igreja, convém também, que sua direção leia Oséias 14:1, onde diz: "Volta, ó Israel, para o Senhor teu Deus, porque pelos teus pecados, estás caído".

Com a palavra, o "Príncipe de Deus".
Paulo Tomchaca, em 18 de fevereiro de 2006.
keruxpaulo@gmail.com

UM BOM DEFUNTO

"...aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo."


Como tema de sermão, ele seria engraçado, talvez até hilariante, se não fosse tão funesto e lúgubre.
"UM BOM DEFUNTO"

Aos homens está ordenado morrerem uma vez, e quando isso ocorre, durante o velório, pessoas próximas, vizinhos, amigos, curiosos e até pessoas que não "iam com a cara" do sujeito, lá comparecem, e, então "desfiam-se o rosário" com as virtudes do falecido.

“Ah ! mas o fulano era tão bom !
Excelente marido, fiel a esposa, bom pai, bom educador.
Nunca precisou dar uma sova sequer nos filhos !
Nossa ! E como praticava a caridade ! Não perdia uma reunião da igreja !”

Ali, tecem-se os maiores elogios ao finado, exaltando suas qualidades, sempre se esquecendo das vezes em que o dito cujo voltava bêbedo para casa, e a esposa em sofrimento apanhava calada.
Voltava bêbedo e sem dinheiro!
Todo seu pagamento havia sido gasto em bebidas com amigos e prazeres escusos.
Para garantir a alimentação da família, a esposa trabalhava aqui e acolá, além dos afazeres domésticos.

“MAS O FULANO ERA TÃO BOM !”

Bastou morrer para virar "santo".

Agora, outros realmente vivem uma vida exemplar e todos os elogios e honras prestadas a ele, são realmente verdadeiras e merecidas.
Bom pai, bom esposo, fiel, dizimista, freqüentava regularmente a igreja, a escola dominical, etc...

Mas será que ele é realmente um bom defunto ? Ele faz jus ao nome ?
Será que sob a perspectiva de Deus, ele é bom e merece além dos elogios, os prazeres paradisíacos pós-morte ?

Como será que Deus o vê ? Ou melhor, como será que Deus nos vê?

Vamos analisar alguns textos da Palavra de Deus, e, daí tirar conclusões sobre tais aptidões.

Inicialmente vamos fazer algumas colocações.

1º] A morte é uma realidade. Ela é inevitável.
2º] Ela vem para os bons e os maus.
3º] Os homens tem medo da morte, porque não conhecem Deus.
4º] A morte faz parte do plano de Deus.

Embora seja verdade que a morte é o salário do pecado, pois no livro de Romanos 6:23 diz que..." o salário do pecado é a morte", também é verdade que foi Deus quem pronunciou esta sentença.

A morte marca o fim do período da vida humana, mas propicia também a entrada na eternidade, pois Deus sempre desejou que vivêssemos com uma perspectiva eterna.

O coração amoroso de Deus sempre ansiou por nossa companhia permanente.

Ele não foi o autor do pecado, pois Ele não pode pecar, a Bíblia afirma isso em Tiago 1:13, mas Deus em seu infinito amor, transformou os resultados do pecado do homem, afim de servir aos seus propósitos.

O ensinamento bíblico a respeito da morte se define em uma só palavra: SEPARAÇÃO!!!!

A Palavra de Deus nunca define a morte como aniquilação ou cessação da existência.

Três mortes são mencionadas na bíblia :

1º) A morte física. [ João 11:11 a 14 ) a morte de Lázaro ].

Por ocasião da morte, o corpo permanece com as partes que o compõe; sangue, ossos, músculos e nervos. Todavia algo se foi, pois não há mais movimentos. Aconteceu uma separação.

Na realidade a pessoa em si foi-se, e ficou o corpo em que ela vivera durante certo tempo.
Com esta morte estamos todos familiarizados.

2º) A morte Espiritual.

Esta tem um significado muito maior. Ela é a separação do ser humano de Deus.

No Éden, nossos pais andavam em perfeita comunhão com Deus. Não havia desacordo, pois não havia pecado para interferir.

Porém depois que o pecado ocorreu , todo o quadro mudou. A comunhão foi quebrada, acabou. Ocorreu a morte espiritual, trazendo rompimento entre Deus e suas criaturas.

Esta separação ainda existe entre Deus e o mundo, que está espiritualmente morto.

A Palavra de Deus afirma que ..."todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus".

3º) A morte Eterna:

Apocalípse 20:14 e 15 diz:..." a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo, e aquele que não foi achado escrito no Livro da Vida foi lançado no lago de fogo".

A Bíblia identifica a morte eterna como separação eterna de Deus; uma exclusão eterna da luz, amor, vida, amigos e felicidade.

Identificado os três tipos de morte, vamos as soluções para elas:

Solução para a morte física

Para os crentes as nossas vidas são anos de treinamento. Esta experiência é uma escola que tem matérias difíceis e exames apertados. Acabamos aprendendo, mais o processo é doloroso.

Este treinamento não precisa continuar para sempre, pois a morte se transforma em uma diplomação.

A morte sob o ponto de vista de Deus não é um fim, mas um começo. Não é derrota, mas vitória. Não é fracasso, mas sucesso. Não é um acidente, mas o plano de Deus.

Paulo canta um hino de vitória em 1º Cor. 15:55...."onde está, ó morte, o teu aguilhão ? Onde está , ó inferno, a tua vitória ?

Solução para a morte Espiritual:

João 3:16 diz:...." porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu Filho Unigênito, para que, todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna".

Na plenitude do tempo, Deus enviou Jesus ao mundo para sanar esta chaga aberta, e para dar fim a desavença entre Deus e o homem causada pelo pecado. Por sua morte na cruz do calvário, Ele tornou possível uma nova comunhão com Deus. Esta separação não precisa mais existir, se o homem aceitar Cristo como seu salvador, então ele tem lavados os seus pecados, e recebe vida nova.

Solução para a morte Eterna:

O destino da morte eterna jamais fora planejado para o homem, mas sim para o diabo e seus anjos( Mt. 25:41 ). No entanto, se o homem desprezar o calvário, encontrará o seu destino no inferno.

A vida precisa terminar na morte. A bíblia declara que..." aos homens está ordenado morrerem uma só vez e , depois disso, o juízo".

Meus queridos, meus irmãos.

Eu não sei a sua condição, como está a sua vida.

Sei que quando chegar a sua hora, você será elogiado pelos seus amigos, mas, e aos olhos de Deus, como você será visto ?

Não adianta ser um bom pai, religioso, dizimista, fiel a esposa e amigos.

Se você não aceitar a Jesus, e crer no sacrifício pleno do calvário, de nada irá adiantar as boas obras, elogios, missa de 7º dia etc...

Hoje o Senhor lhe convida, não a ser um bom defunto, mas sim, a possuir a vida eterna.

Quando você exalar o último suspiro, a verdadeira vida irá começar junto a Jesus.

O próprio Jesus diz em João 10:27 e 28...." as minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos"

A experiência da salvação é tão simples e descomplicada que causa admiração. É tão somente crer!

Hoje mesmo, deixe de ser um bom defunto e receba a vida eterna!


Amém

Redenção
(Hino 495 do cantor Cristão)

Nós iremos com Cristo Jesus gozar
Uma vida de eterno prazer e amor
Onde nunca perigo qualquer há de entrar
Vida gloriosa na graça do redentor

Salvos por Jesus cantaremos nós no céu
Gloria, gloria, paz salvação do Senhor
Eis que todos anjos e santos sem véu
Hemos de ver coroado, rei e do céu Senhor.

Todos nós, os remidos com gratidão
Juntos, num regozijo eternal com Deus
Louvaremos a quem nos deu tal salvação
Sim, ao cordeiro de Deus e Senhor dos céus

Oh! Que grande verdade que grande luz
Paz, favor, redenção, alegria, amor
Tudo, tudo nos vem pela morte na cruz
Desse cordeiro de Deus, divinal senhor

Pela fé no Senhor recebemos paz
Dom gracioso de Cristo Jesus o Rei
Deu-nos, pois salvação que é completa e veraz
Oh! Sim, livrou-nos do justo rigor da lei

Tão alegres sermos na vida ali
Pois veremos Jesus que na cruz venceu
Provas Ele nos deu já por ter vindo aqui
Oh! Que ditosa esperança do povo seu!